Alguns esclarecimentos sobre o cometa C/2020 F3 (NEOWISE)

 Alguns esclarecimentos sobre o cometa C/2020 F3 (NEOWISE):     

23 de julho de 2020

 

Conforme vem sendo informado, existe a previsão de que o cometa NEOWISE (denominado pelos astrônomos de C/2020 F3) possa ser observado no Espírito Santo, a olho nu, a partir do dia 22 de julho de 2020, até cerca do final do mês.

O cometa estará visível durante pouco tempo, bem no início da noite, após às 18 h e antes das 19 h, bem baixo, próximo do horizonte noroeste, na constelação da Ursa Maior.

Contudo, é importantíssimo notar que, para conseguir, de fato, ver o cometa a olho nu, há algumas condições bastante limitantes:

 

  1. O tempo deve estar bom, em especial, sem nuvens na direção do horizonte noroeste (a meio caminho entre o norte e o oeste, à direita de um observador que estiver de frente para o oeste);

 

  1. A observação deve ser feita de um local em que o horizonte noroeste seja desimpedido, sem prédios ou árvores na frente, pois o cometa aparecerá muito baixo no céu, e antes das 19 h já terá se escondido no horizonte;

 

  1. O local de observação deve ter um céu bem escuro, de preferência longe da cidade, pois a luz de qualquer centro urbano produz o que podemos chamar de “poluição luminosa”, que impede que vejamos objetos com pouco brilho, sendo que, no presente caso, a previsão é de que o cometa Neowise apresente, nos próximos dias, uma magnitude em torno de 4, que está no limite da visibilidade de um objeto num céu urbano (a “magnitude” é uma medida usada pelos astrônomos para especificar o brilho de um objeto: quanto maior a magnitude, menos brilhante ele é).

Se o observador tiver a sorte de estar no horário certo, num local de céu escuro, horizonte noroeste desimpedido e o tempo não estiver nublado, haverá uma boa chance de conseguir ver o cometa. Se esse observador puder contar, ainda, com um binóculo para ajudar na visualização, será bem melhor.

Outro ponto importante a esclarecer é a diferença que há entre um cometa e um meteoro:

– Um cometa é um objeto que, em geral, como o NEOWISE, passa a milhões de quilômetros de distância da Terra e, por isso, parece “parado” no céu com relação às estrelas, com o aspecto de uma estrela meio difusa, nebulosa, com uma cauda que, às vezes, se torna visível. Apenas lentamente, de um dia para o outro, percebemos o seu deslocamento com relação às estrelas. Ele não se move rápido no céu!

– Já um meteoro é um pequeno fragmento de rocha que vem do espaço e cai na Terra, é um fenômeno que acontece perto de nós, na atmosfera da Terra. Devido à altíssima velocidade dessa sua queda, o meteoro sofre um grande atrito com o ar, se aquece e fica incandescente, movendo-se muito rápido, deixando um rastro luminoso no céu que só dura segundos ou fração de segundos. É o fenômeno que, popularmente, é chamado de “estrela cadente”. Alguns meteoros resistem à queda e, quando são encontrados no chão, são denominados “meteoritos”.

Sérgio M. Bisch
Depto. de Física da UFES
Diretor Técnico-Científico do Planetário de Vitória
E-mail: sergiobisch@gmail.com
Tel.: 27-99933.7303

 

Referências:

WIKIPEDIA, página em português sobre o cometa C/2020 F3 (NEOWISE). Disponível em:  <https://pt.wikipedia.org/wiki/C/2020_F3_(NEOWISE)>. Acesso em 21j jul. 2020.

REA (Rede de Astronomia Observacional), página sobre a visibilidade do cometa C/2020 F3 (NEOWISE). Disponível em: <http://rea-brasil.org/cometas/2020f3.htm>. Acesso em 21 jul. 2020.

 

Dicas de Astronomia Amadora: meu primeiro telescópio.

Querendo iniciar na Astronomia Amadora? Aproveite as dicas do Planetário de Vitória!

Existem, basicamente, dois tipos de telescópios: Os Refratores, que usam várias lentes para fazer a ampliação/aproximação da imagem e os Refletores, que usam um grande (e pesado) espelho côncavo para isso. Na verdade, os telescópios refletores também usam uma pequena lente (às vezes mais) para correção da imagem formada, chamada de ocular. Os grandes telescópios de pesquisa são Refletores.

Diferença ótica entre telescópios refratores e refletores.

Com o espelho, as imagens são menos destorcidas, muito mais nítidas e praticamente não apresentam o fenômeno de aberração cromática (aquelas luzes coloridas que aparecem na imagem que sabemos que não existem daquela forma no objeto observado). Esse fenômeno aparece nas bordas das lentes, naturalmente, assim como um arco-íris se forma quando a luz do sol atravessa gotículas de água. Então quanto mais lentes (Refrator), maior a probabilidade de ver o fenômeno. Também se consegue mais qualidade com um Refletor, pois é mais fácil produzir um espelho grande do que uma lente grande. Isso porque quanto mais luz entra no telescópio, maior qualidade de imagem, e consecutivamente, maior possibilidade de ampliação. Nós do Planetário de Vitória utilizamos telescópios Refletores nas nossas sessões de Vivência com o Telescópio.

Telescópio refletor (espelhos) com montagem equatorial.

  

Telescópio refrator (lentes) com montagem equatorial.

Porém, há um grande problema nos telescópios Refletores: o preço. É claro que existem telescópios Refratores tão caros, ou mais, que os Refletores. Mas, os mais baratos (de boa qualidade) já ultrapassam os R$ 1.000,00 no mercado nacional (jul/2020).

Mas os Refratores têm uma grande vantagem. Como todas as lentes são fixas no bloco ótico durante o processo de fabricação, dificilmente o telescópio perderá sua colimação (alinhamento ótico). Por exemplo, devido ao uso e transporte, nós do Planetário devemos conferir as regulagens dos nossos telescópios pelo menos uma vez por mês.

Telescópio refletor com montagem azimutal (Dobsoniano)

Se puder, compre um com a montagem equatorial, ao invés da azimutal. Com a montagem equatorial é mais fácil acompanhar um astro devido ao movimento de rotação da Terra. Procure também por lojas especializadas. Normalmente elas trabalham com marcas de fácil reposição de peças. Outra dica valiosa: Quanto mais pesado o conjunto do telescópio (tripé + montagem + tubo/bloco ótico), mais estável e consecutivamente melhor de se manusear durante uma observação.